quinta-feira, 11 de março de 2010

Um dia,
se conheceres o vazio,
perceberás o tormento
que tomam os meus pensamentos.
Perceberás o quão repugnante
pode ser o coração que vive
em busca de amor eterno.
Perceberás porque arranquei
do peito doente, que me destruía,
o coração morto,
e nas sombras penetrei.


Um dia,
se encontrares o coração perdido,
encontrarás apenas, e só apenas,
um pedaço de pedra lançado aos ventos,
esquecido num túmulo.


Um dia,
se olhares para trás,
uma sombra te beijará.


UM DIA, SE…
Como uma flor
que desabrocha
na manhã primaveril
e seus braços em pétalas
estendem-se sobre a terra
para abraçar do sol
os raios de calor,
abri o coração
e deixei-me ficar
abraçando o teu olhar.


COMO UMA FLOR
Mais que os olhos é o olhar
Mais que os lábios é o sorriso
Um rosto com um tom singular
Uma beleza em que me regozijo.


Mais que as mãos, o toque
Mais que as pernas, o cruzar
Num abraço que não houve
Deste-me a conhecer o teu amar.


Mais que o corpo vi a alma
Mais que o nome quem tu és
Tocaste em mim sem a palma
Da mão que escreve em português.


POETIZA

sábado, 9 de janeiro de 2010

ESTRELA NO MEU QUARTO


Sentado à janela.
Assim observo a noite escura,
e observo a esperança que se esconde
para lá do desejo de te ter, aqui a meu lado.


No céu, apenas uma estrela,
só, solitária, sozinha em tamanha imensidão…
Onde foram as outras luzes?
E onde estás, que não aqui a meu lado?


Fosse o mundo o diâmetro do meu quarto
e seria eu o mais feliz dos homens,
talvez o único, e serias tu, meu bem,
a razão do meu mundo, trancado a sete chaves.

INSPIRAÇÃO DO POETA


Ora fazes de mim um artista,
desenhador de pensamentos,
libertador de tormentos,
o canalizador de desabafos,
o electricista que ilumina corações,
o engenheiro das obras literárias.

Ora transformas-me em carrasco,
num perseguidor de desejos,
embriagado em desesperos,
sofredor constante noite adentro,
num infame contador de realidades,
em poeta, homem louco pela verdade.

ASSALTO

I
Ele disse:
“Era escura a noite.
E, de armas em punho,
sem faca nem foice,
à ausência de testemunho,
do bosque abalamos
e as senhoras assaltamos”.


Respondi:
A vida é feita de momentos.
Segundos lentamente contados,
em que o certo e o errado são tormentos
para quem ataca e também para os assaltados.
E, quando o tempo contra vós corre,
pelo canhão da arma, há uma lágrima que escorre.


II
Ele disse:
“Era fria a noite.
Sorrisos jubilados pela vitória
cantavam enaltecendo a sorte.
Repartiam o espólio cantando em glória,
mas dentro de mim corroía
a lágrima do sangue que no chão escorria”.


Respondi:
Jamais recompensa alguma
é justa, quando em causa uma vida,
assaltada, a outro mundo ruma
e a homicida alma, arrependida,
chora e já tarde se mentaliza
que, nas brincadeiras, a morte vitimiza.


III
Ele disse:
“Frios são os pensamentos
quando o erro se agarra às recordações,
flagelando persistentes bons sentimentos,
insistindo em trazer-me negras visões.
A tortura tornou-se companheira minha
nesta cela onde a culpa é minha vizinha”.

quarta-feira, 4 de março de 2009

ESCORRE UMA LÁGRIMA EM MEU ROSTO


Brilhou em meu olhar a esperança
disparada da arma
que carregava em seu interior
o cravo da liberdade,
O baptizar de uma nação,
A voz do eco que trouxe em mim o coração.

Brilhou em mim a tua voz.
E escorre em meu rosto a lágrima da emoção.
Só tu sacias a minha sede de escrever.
Por ti, liberdade, encontro o meu interior,
E dele saiu na forma mais preciosa
que a terra deu ao Homem.
Oriunda do meu interior,
Escorre uma lágrima em meu rosto…

É a lágrima do choro que percorreu o rio,
Ultrapassou a barragem,
E resistiu à evaporação do calor.

Choro porque sinto a liberdade…
Escorre uma lágrima em meu rosto.

sábado, 26 de julho de 2008

DIFERENÇA QUE GERA UNIÃO

As estrelas e a lua se fundem
Tal como a minha mão e a tua se confundem.
Tão diferentes são as cores que a noite apelam ao morcego,
Tão diferente somos nos, tu branca e eu negro.

O mundo fez-se diferente, o céu e a terra
Tu e eu, vivendo da agua, sobrevivendo a seca.
Tanta desigualdade desencadeia um cosmos
Nesse ponto de encontro, vejo-te a ti, criando esses filhos nossos.

Tons de pele branca. Tons de pele negra,
O acasalar de duas cores, e mais cores a união gera,
E a mais seres a união atribui diferenças
E a mim, e a ti, a união fez-nos as avessas.

Trocados na génesis e encontrados nos dias de hoje
Tu e eu, porque as barreiras caíram, somos cônjuges
Felizes com as semelhanças, aceito que és diferente
E porque da diferença nasce a união, aí a tens, em teu ventre.

NOS MOMENTOS DE SOLIDÃO

Bem no fundo do meu ser homem
Encontro uma fragilidade.
Nos meus momentos de solidão
Liberto esta estranha sensibilidade.

Em publico sou um homem,
E os homens não choram!
Mas nos meus momentos de solidão
Sofro, choro e entrego-me ao amor...

Nestes meus momentos de solidão
Reconheço e tão bem me apercebo
Que vivo como um homem,
Mas amo como uma mulher.

BENDITOS SÃO OS OLHOS QUE NÃO VÊEM

Benditos são os olhos que não vêem
Felizardos são estes que não crêem
Bem intencionados os mesmos que têm
Vontade de viver – pois não vêem

Meus olhos se vêem lacrimejam
Estes, se crêem, se desinteressam
Só têm percepções que detestam
E não querem mais ver – apenas lacrimejam.

domingo, 11 de maio de 2008

LUTA

Eu luto por mim
Luto por ti
E luto por todos nós.
Talvez não como gostarias,
Mas de alguma forma luto.
E tu?
Lutas?

A DOR DE SER HOMEM

Eu sou um Homem!
Fruto da terra, do ar e do mar.
dono da razão, inteligente
Não mais que verme capaz de matar.

Que vergonha ser Homem...
Ser pior que as cobras que temo.
Tão falso, tão vil, tão criminoso
Que a minha natureza queimo.

É castigo ser Homem.
Ladrão! Aos pássaros os céus roubei.
Racionalizante cobarde,
Aos peixes oceanos retirei.

A dor de ser Homem é soberba.
Deixem-me ser um simples animal
Cego, estúpido, irracional,
Com uma aparência coberta.

E, diferente dos demais mortais,
Serei igual ao vagabundo cão
Que se passeia e dorme no chão
Com velhos que temem climas fatais.

Velhos esquecidos por seus filhos,
Paridos, criados, hoje Homens,
Escorraçados porque consomem
E sem dinheiro são inválidos...

Como dói pensar no ser Humano.
Ouvir de uma mãe o socorro.
Ver no pai angústia e choro...
Desprezo este nome que chamo!

Como dói ser Homem

sábado, 22 de dezembro de 2007

LEMBRANÇAS

Perco-me por entre as lembranças

Que o trazem até mim

Deixo-me ficar jogado, triste

Neste imenso jardim


De terra verde, fresca

Cobre-se a paisagem à minha volta

Mas tanta vida ao meu redor

Não acalma a minha revolta.


Corro perdido

Por entre a densa vegetação

Tento como posso

Escapar à triste recordação


Parem o tempo!

Parem tudo, por favor!

Deixem-me enxergá-lo

Por entre essa negra cor


Esteja aprisionado no rubro tormento

Ou se passeando pela paz que o levou

Apenas peço que me deixem apertar

As mãos de quem tanto me ajudou.

SOZINHO

Encontro-me no escuro

Só comigo mesmo

Envolto em luto


Enxugo as lágrimas

Que me escorrem

E afogo a vontade de viver


Tento procurar

Ao meu redor

Onde me possa apoiar


Mas quem me apoia está a chorar…


Em que pensar neste momento

Triste

Coberto pela nuvem negra


Sinto-me só

Solitário

Pensando em tudo. Pensando em nada.

A PARTIDA

Psiu! O silêncio deixou escapar um sopro

Meus músculos prontamente se retesam

Pois consigo sentir perscrutar o meu corpo

Estas almas, abandonadas, que nos rodeiam


Medo? Será esse o sentido do calafrio

E da repentina vontade de mudar o pensamento?...

É então que oiço passos, sons, sim, ouvi-o!

O fantasma da morte trouxe à minha porta o desalento


«Está na hora da partida», anunciou.

Tão alto falou mas ninguém conseguiu escutar

Excepto tu. Percebeste que o outro a tua sorte ditou…

O silêncio. A sensação. O relógio começou a contar…

À VIDA

Não canto à morte

Prefiro cantar à vida.

Pode ser a vida perdida

Mas à vida enquanto fora vivida.


Não procuro saber onde estão

Todos os que tanto gostaria que cá estivessem.

Se me encontram, se me observam…

Será importante o que vocês sentem?… se sentem.


Não me julguem por ser como penso

Por pensar que faz falta quem ainda posso abraçar

Não me condenem por não visitar vossas campas

– Flores que embelezam, não trazem quem não pude à despedida beijar

quarta-feira, 4 de julho de 2007

JÁ NÃO MAIS CANTAREI


Já não mais cantarei à desgraça

Já não mais cantarei à pobreza

Já não mais cantarei à desilusão

Já não mais cantarei à saudade

Já não mais cantarei à dor

Já não mais cantarei…

…cantar é retratar…

…retratar é observar…

…e sempre que observo Homens observo sofrimento

Sofrimento abafado por risadas…

…e porque enquanto uns riem muitos mais choram…

Decidi que em voz alta…

Já não mais cantarei!

INVASÕES


Os generais desembarcam dos seus botes. Bem servidos de armas brancas, homens brancos invadem outros povos. Ásia, África, Américas. Não há terra que não tenha sido pisada pelas botas destes capitães.

A submissão é a atitude mais coerente. Armas de fogo fazem a sua justiça. Rios de sangue misturam-se com rios de lágrimas que se fundem num mar de desespero.

Escravidão. O homem de pele branca impõem-se aos homens cujo tom de pele não atinge o branco de pureza e santidade; o branco limpo e imaculado (como se algum homem fosse perfeito).


Os generais. Os capitães. Os “soldados de Deus” violam tudo e todos por onde passam a pretexto de instruir as tribos, os povos, as civilizações que vivem sob a mira do diabo. Espalham a democracia e o cristianismo e, entretanto, deixam as suas marcas nos rostos de crianças que espelham o desgosto e a tortura de seus pais.

Homens mandam e desmandam numa terra onde não nasceram. Afrontam e castigam os donos da terra até que o inevitável acontece – os verdadeiros senhores da terra revoltam-se contra seus “donos” e o resultado é revolta.

PORQUÊ


Porquê magoas o meu coração

E deixas-me sem vontade de viver?

Porquê não valorizas a minha paixão

Para que eu possa viver sem sofrer?

Porquê abriste mão da minha companhia

E arranjaste outro homem?

Porquê que a cada dia que se avizinha

Mais sentimentos revoltosos me consomem?

Porquê cada ser não nasce já

Pré-destinado a amar “aquela” mulher?

Dessa forma, a minha alma estaria como está

E, ao sabor da paixao, contigo poderia viver.

Onde estarão as respostas para as questões

Que destroem meu peito. Será que Camões

As teve? Se teve, eu também quero.

Se não as teve, entao porei fim ao meu desespero.

VELHICE


Bendita ou maldita?

Não sei…talvez ambas as coisas.

Por um lado, vão-se as forças

Por outro, vem a sabedoria.

Ninguém quer morrer,

Mas, enquanto jovens,

Muitos são os que desconsideram a velhice

Porquê?

O bom da vida está naqueles que nos guiam,

Aqueles que deixam as suas pegadas para que nós,

Jovens,

Possamos decifrar o bom e o mau caminho.

Porque razão não damos valor à velhice se,

No fundo,

Todos desejamos envelhecer?

– Antes isso que morrer.

CONFLITOS


Uma turma,

Dois grupos.

Um conflito,

Dias duros.

Um desacato,

Grandes inimizades.

Um boato,

Resultados impressionantes.

JÁ NÃO SUPORTO


Já não suporto o amor

Porque só me causa dor

Já não suporto te olhar

Sem por teu nome chamar

Já não suporto imaginar teu nome

Escrito no caderno de outro homem

Já não suporto estar perto de ti

E saber que com outro és feliz

Já não suporto estar apaixonado

Mulheres?! Serão escolhidas ao acaso

Já não me interessam personalidades

Nem tão pouco mulheres com grandes qualidades

Porque tu és uma mulher completa

Mas não escolheste para ti a pessoa certa.

ONDE ESTÁS?


Pergunto constantemente às estrelas

Se sabem onde estão os teus pensamentos

– Mas as respostas são sempre as mesmas

E aumentam os meus tormentos.

Pergunto à lua, que vê tudo no mundo

Se espiou-te algures em busca de carinho.

Diz-me, lua! Pois o meu amor é profundo

E jamais poderá perdurar sozinho.

E as ondas do mar? Que vêm e vão,

Decerto já molharam os teus cabelos.

Porém, elas nunca me escutarão

Nem acalmarão os meus desejos.

Resta-me perguntar às pedras da calçada

Se seguiram os passos da minha princesa

E se sabem conduzir-me ao encontro da minha amada

Que, com certeza, sente a falta da minha presença.

PORQUE EXISTES


Gosto de viver com o teu nome no coração

Procuro te ter para além da imaginação

Tu és real. Tu és vida

És a luz no horizonte que me guia

És rainha e eu quero ser rei

És divina. Sempre te desejarei.

Eu não quero viver, não!

Viver sem ti não faz parte da minha razão

Se não estás comigo eu não vivo

Não te ter é o mesmo que viver sem abrigo,

É não ter onde encostar a cabeça,

É não ter um lar que nos aqueça.

Viver sem te ver

É semelhante a não viver

Gosto de viver porque tu vives

O amor só faz sentido porque existes.

POESIA


A poesia

É a janela

Que encontrei

Para dar o berro

Para o exterior.


É a janela

Que me permite arrancar

O que tenho cá dentro...


A minha poesia

Transmite

Amor, Paz, Alegria...

Mas também

Transmite

Dor, Guerra, Tristeza.


No fundo,

A minha poesia

É o relato de um ser.

sábado, 27 de janeiro de 2007

NÃO DÁ


Não dá para ser eu própio quando todos estão contra mim.
Não dá para sobreviver num mundo onde a falsidade não tem fim.
Não dá...

Os olhos são os espelhos da alma, é verdade.
Mas não dá para contemplar tal alma
Quando seus espelhos estão cobertos de sujidade.

Tento ser honesto mas a honestidade tornou-se corrupta
Quero ser um homem mas como homem não viver da disputa
Não...

Tudo indica que não dá
Mas mesmo assim quero ser o que outros negam reconhecer
– desejo ser eu próprio: Nascido para vencer.

ESTÁS LONGE MAS AO MESMO TEMPO ESTÁS TÃO PERTO

Se odeio o destino
É porque ele nos separou
Colocou-te num avião, partiste
E contigo o meu coraçao voou

Estás lá, longe
Mas sinto-te aqui tão perto
Sinto o teu cheiro
E oiço as batidas do teu peito

O oceano, imenso como ele é,
Mantém-nos afastados
Mas meus olhos, apaixonados,
Conseguem enxerga-te, embora molhados

...E vejo-te linda
Chorando, aclamando por meu amor
Mas estás tao longe,
Tão longe...

Sei que estás longe
Mas ao mesmo tempo sinto-te tao perto
Pois sei que estas comigo...
Eternamente no meu peito.

Ò MÃE


Ò, mãe! Eva que deu vida a todos nós. Onde estás que não aconselhas estes teus filhos a portarem-se bem?Ò mulher de belezas inconfundíveis…Aparece! Teus filhos precisam da tua bênção...Estes pupilos que abandonaste têm-se portado mal.

Ò inspiração divina…
Exemplo de Vénus e Afrodite. Amai as tuas crianças, que elas precisam do teu carinho. O teu abandono tem lhes causado uma enorme ira. Ira que descarregam sobre os seus irmão. Mas como é triste ver irmãos fazendo uso da carnificina para obter riquezas.

Mas, ò filha de Deus!
Tu és a riqueza que estes homens procuram.

Onde estás?
Ouvi dizer que te escondes no coração de cada um de nós, é verdade? Responde-me. Responde às minhas preces, pois já não aguento ver tanto sofrimento entre meus irmãos. Desde que nos abandonaste, teus filhos separaram-se.

Ganharam ódio uns dos outros;
Dividiram-se entre pretos e brancos; pobres e ricos.
Mas…

Ò mãe, Onde está a tua herança? É verdade que é o amor? Se é, onde está? Aliás, Se a tua herança é o amor, esconde-o.
Pois,
gananciosos como estes teus filhos se tornaram, decerto não hesitarão em matar-te e ficar com toda essa riqueza.

Ò mãe…

POR CAUSA DE UMA MULHER


É incrível como os homens se rendem
Aos encantos de uma mulher.
Por causa delas perdem
Amizades que jamais deveriam perecer.

Quantos homens cometem grandes loucuras
Afirmando serem em nome do amor.
Mas, valerá a pena destruir as estruturas
De uma amizade e, em troca, receber a dor?!

Quantos homens guerreiam entre si
Desafiando-se para ver quem consegue uma mulher,
Enquanto que há muitas mais por aí
À procura de um homem que as faça viver.

MULHER BONITA


És uma mulher bonita.
De todas as que conheço, a mais querida.
Tão doce como uma boneca
Mas, no entanto, tão destemida.

Sinto firmeza na tua voz
E desejo de conquista nos teus olhos.
Olho p’ra ti, vejo uma mulher
Desejada por muitos povos.

És uma mulher bonita.
De corpo magro e esbelto.
És a conquistadora
Que invadiu e deixou o meu coração aberto

…e toda a minha paixão
Foi-se com o vento, como uma flor...
E de mulher bonita passaste a ser
A mulher que casou-me dor.

NADA FAZ SENTIDO



Quando não estás comigo,
Só o nada faz sentido...

O vazio enche-se de solidão
E nele o amor fica perdido...

E a ele entrego-me convicto
De que só o nada faz sentido.


GOSTO DE QUEM GOSTA DE MIM MAS NÃO ODEIO QUEM NÃO GOSTA DE MIM


Gosto de quem gosta de mim
Porque sou amigo dos meus amigos.
Gosto de quem gosta de mim,
Porque humanos não vivem sozinhos.

Gosto de quem gosta de mim
Porque sozinho não sou ninguém,
Amo quem gosta de mim
Porque sem amor o mundo não me convém.

Não odeio quem não gosta de mim
Porque não tenho nada a perder.
Há pessoas que não gostam de mim
mas também...quero lá saber.

Não odeio quem não gosta de mim
Porque não vejo vantagens em ter inimigos.
Há quem está comigo mas não gosta de mim,
Talvez, porque não sabe como é bom ter amigos.

Didier Ferreira, (Alma)da Nossa Terra

ROTINA

Hoje acordei
Cedo levantei
Embora ensonado
Lá me preparei.

Saiu de casa
De casa fecho a porta
Não há movimento
A rua parece morta.

Caminho cantando
Cantando vou sozinho
Sem companhia
Nao avisto nenhum vizinho.

Até chegar a escola
Muita coisa vi
Enquanto estive no autocarro
Baboseiras ouvi.

Posto na sala de aula
Olho para a professora
Observo-a e penso:
Ai como és gostosa.
Acaba uma aula
Logo começa outra
Ao entardecer
Apresso-me a estar de volta.
Saiu da escola
Com os amigos
vou à paragem
Apanho o autocarro
Em grupo tenho outra imagem.

Posto em casa
Vejo televisão
Alimento-me,
E as novelas completam o meu serão.
Olho para as horas
Já passa da meia-noite
Concluo:
Bem,
mais um dia foi-se.

QUE BOM QUE É PODER ESCREVER


Para muitos, a felicidade tem a forma de uma mulher
Para mim, a felicidade é poder escrever.

A poesia não é um cigarro que suga-se e deita-se fora
A poesia não é um carro que avaria a toda a hora.

A escrita é o culminar de pensamentos
A viagem para um mundo sem tormentos.

A poesia chama por mim como o íman atrai o ferro
Debruço-me sobre a caneta...e o resultado é o que escrevo

Eu escrevo porque sonho e sonho porque desejo
Tirem-me tudo! Mas jamais tirem-me o que escrevo.


Didier Ferreira,
Index Poesis – colectânea de poesia